sábado, 28 de setembro de 2013

LIBERDADE DE PENSAR

APELO FRATERNAL AOS IRMÃOS DE IDEAL ESPÍRITA
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Caríssimos irmãos, pelo pensamento podemos criar ou destruir, por isso Jesus nos recomendou vigiar e orar (Marcos, 14:38) antes de falar e agir. Tudo o que pensamos, mais cedo ou mais tarde, influenciará nossas vidas e a dos outros para o bem ou para o mal, se insistirmos nisso e trabalharmos para sua realização. O pensamento, diz Léon Denis, “gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura”. (1)Diz ainda esse filósofo que:Modelamos nossa alma e seu invólucro com os nossos pensamentos; estes produzem formas, imagens que se imprimem na matéria sutil, de que o corpo fluídico é composto. Assim, pouco a pouco, nosso ser povoa-se de formas frívolas ou austeras, graciosas ou terríveis, grosseiras ou sublimes; a alma se enobrece, embeleza ou cria uma atmosfera de fealdade. Segundo o ideal a que visa, a chama interior aviva-se ou obscurece-se. (1)O Espírito Yvonne Pereira orienta os médiuns, que somos todos nós, sobre a necessidade da vigilância de nossos pensamentos e vida moral, para somente servirmos aos interesses superiores, pelo amor ao bem e à verdade. Eis seus esclarecimentos sobre como agem as entidades superiores, ante o equívoco dos que criticam o movimento ou os confrades espíritas:[...] os Espíritos superiores não semeiam confusão na Seara do Senhor e não lançam um companheiro contra outro.
As entidades nobres são cristãs e seguem com fidelidade a doutrina de Jesus. Quando se pronunciam mais diretamente, abordam o problema e não pessoas ou instituições, apresentando a solução cristã para esse ou aquele caso.
Não defendem nem elogiam os seareiros para não lançar a competição e a discórdia. Amam a todos de maneira equilibrada e justa. Desse modo:
Que nenhum médium se sujeite a intercambiar as mentes perturbadas que em desalinho infiltram-se no trabalho do Senhor.
Não aceitemos, pela mediunidade, que alguns Espíritos ataquem ou defendam, apaixonada e desequilibradamente, ideias apoiando esse ou aquele agrupamento, em que fique evidenciada a falta de caridade e a ação das trevas nos desvios humanos.
Que os médiuns da verdade não caiam no engodo de criticar e reformar companheiros e o Movimento Espírita, tornando-se intérpretes de Espíritos atormentados. (2)
Afirma o Espírito Emmanuel, no Prefácio de Nos Domínios da Mediunidade, que “cada criatura com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica”. (3) Mais adiante, prossegue:
Sem noção de responsabilidade, sem devoção à prática do bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante em nosso próprio burilamento moral, é impraticável a peregrinação libertadora para os Cimos da Vida. (3)
Devemos ter muito cuidado com o que pensamos, falamos e fazemos, pois a influência dos Espíritos em nossas vidas, para o bem ou para o mal, é muito grande, conforme consta da questão 459 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:
Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?
“Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”. (4)
Como se pode observar, da resposta acima, é muito importante que atendamos à recomendação de Jesus sobre a necessidade de vigiar nossos pensamentos, pois nossas palavras e ações positivas e negativas partem deles.
De que modo, então, podemos nos imunizar contra a influência dos maus e conquistar a assistência permanente dos bons Espíritos? A resposta está na questão 469 do livro acima citado, quando, à pergunta de Kardec sobre o meio de neutralizar a influência dos maus Espíritos, esclarecem os reveladores:
Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer:
“Senhor! não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. (4)
Segundo Léon Denis, “as vibrações de nossos pensamentos, de nossas palavras, renovando-se em sentido uniforme, expulsam de nosso invólucro os elementos que não podem vibrar em harmonia com elas; atraem elementos similares que acentuam as tendências do ser”. (1) Pouco adiante, ele continua:
[...] Pensamos raras vezes por nós mesmos, refletimos os mil pensamentos incoerentes do meio em que vivemos. Poucos homens sabem viver do próprio pensamento, beber nas fontes profundas, nesse grande reservatório de inspiração que cada um traz consigo, mas que a maior parte ignora. Por isso criam um invólucro povoado das mais disparatadas formas. Seu Espírito é como uma habitação franca a todos os que passam. Os raios do bem e as sombras do mal lá se confundem, num caos perpétuo. [...] (1)
Prossegue o autor, dizendo que:
Não há progresso possível sem observação atenta de nós mesmos. É necessário vigiar todos os nossos atos impulsivos para chegarmos a saber em que sentido devemos dirigir nossos esforços para nos aperfeiçoarmos. [...]
Desse modo, precisamos “disciplinar as impressões, as emoções, exercitando-nos em dominá-las, em utilizá-las como agentes de nosso aperfeiçoamento moral; aprender principalmente a esquecer, a fazer o sacrifício do ‘eu’, a desprender-nos de todo o sentimento de egoísmo.
A verdadeira felicidade neste mundo está na proporção do esquecimento próprio”. (1)
Vamos, portanto, meus irmãos em Jesus, exercitar a tolerância, a benevolência para com todos. Evitemos melindres, competições entre nós, a não ser aquelas em que, sem pretendermos parecer ser melhores que o nosso próximo, mas com espírito genuinamente cristão, nos esforcemos na prática do maior bem possível, exercitando a humildade, a abnegação e o devotamento ao semelhante. Guardemos a nossa língua na água da paz, como foi recomendado a Chico Xavier, e procuremos imitar o Cristo de Deus que, cingindo-se com uma toalha, lavou os pés de seus apóstolos, num exemplo simbólico de extrema humildade e de amor incondicional a toda a Humanidade, ainda que entre os lavados estivesse aquele que sairia dali para traí-lo (João, 13:4-30).
Enfim, aprendamos a suportar, com paciência e serenidade, qualquer procedimento de nosso próximo para conosco. Procuremos ser tolerantes com os outros e severos para com nossos próprios erros, corrigindo-nos, incessantemente, pois a felicidade não está no exterior, como esclarece Jesus: o “Reino de Deus está dentro de vós” (Lucas, 17:21). Cabe-nos cultivá-lo com base nos bons pensamentos, de onde provêm as palavras e atos.

REFORMADOR OUTUBRO 2012

Referências:
1-DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 31. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2011. Cap. 24. p. 495-497, 501-502, respectivamente.
2-CRISTIANO, Emmanuel. A pena e o trovão. Pelo Espírito Yvonne do Amaral Pereira. São Paulo: Allan Kardec, 2010. p. 56-57.
3-XAVIER, Francisco C. Nos domínios da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 34. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2011. Prefácio.
4-KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 92. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2012. Q. 459 e 469.
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