sábado, 2 de junho de 2012

Padronização

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programa "No limiar do amanhã"


Locutor - Pergunta o Sr. Júlio Lopes Assis, da Rua Pires da Motta, Aclimação.
Professor, fala-se muito em padronização das práticas espíritas principalmente sessões mediúnicas e passes. O que o senhor acha disso?
J. Herculano Pires - Acho que a padronização das práticas espíritas tem um aspecto negativo que precisamos muito ser levado em consideração.
Não podemos estabelecer padrões definitivos, estabelecer modelos estáticos e rígidos para as determinadas práticas, tanto de sessões como de passes. Compreendo que a tentativa tem por objetivo fazer com que desapareçam da prática espírita certos rituais e certas interferências de práticas estranhas que não concordam com a doutrina.
Entretanto, é preciso lembrar o que Kardec fez com as preces. Havia um problema no tempo de Kardec: as preces eram quase sempre recitadas de acordo com textos das igrejas. Muitos espíritas sentiam dificuldade em proferir preces novas, preces espíritas. Kardec redigiu então um verdadeiro livro de preces, como nós sabemos, e neste livro ele deu um modelo de vários tipos de preces que devem ser proferidas. Mas ele acentuou: estas preces não são para ser decoradas e sim para que as pessoas que têm dificuldade em pronunciar uma determinada prece, nas determinadas ocasiões aqui mencionadas, encontrem um roteiro, uma espécie de exemplo que elas podem seguir. E quanto melhor elas usarem as suas próprias palavras, os seus próprios sentimentos no pronunciar essas preces, mais poderosas serão as preces por elas pronunciadas.
Quer dizer, Kardec não oferecia um modelo rígido, mas sim uma simples orientação, um exemplo para aquelas pessoas que não podiam compreender a necessidade de proferir preces espontâneas.
As sessões espíritas estão nesse mesmo caso. As sessões devem ser dirigidas de acordo com a compreensão, os conhecimentos, as experiências de cada dirigente. Naturalmente obedecendo ao sistema geral de Kardec no sentido de que as sessões sejam desprovidas de aparatos, de rituais e de todo formalismo que possa prejudicar a espontaneidade das manifestações.
Infelizmente no meio espírita tende-se mais para o formalismo. O presidente de sessão se torna, por assim dizer, uma espécie de mestre escola dando palavra aos médiuns, caçando a palavra, impedindo que se manifestem espíritos e assim por diante. Quando na verdade deve prevalecer nas sessões a maior espontaneidade possível, porque os espíritos do lado de lá estão dirigindo o trabalho de maneira muito mais ampla, de maneira superior à nossa própria maneira pessoal, particular de dirigir.
As sessões, portanto, podem ter uma padronização no sentido de se dizer aos centros espíritas, aqueles que promovem sessões, que não pratiquem nada fora daquilo que está na doutrina, mas não podem ser formalizadas em sentido absoluto.
O mesmo se dá com os passes. Como estruturar, como padronizar passes espíritas, se o passe espírita não é um passe magnético? O passe espírita não decorre do próprio médium. É sempre um espírito quem dá o passe espírita. Por isso que o passe é espírita, do contrário seria um passe magnético. O médium envolvido pelo espírito recebe a intuição, e muitas vezes o espírito se apodera dele, se incorpora mesmo para transmitir o passe da maneira que ele, espírito, que está vendo o problema, que está sentindo, que está dirigindo a solução do problema, da maneira que ele entende que deve ser dado.
Assim, o passe espírita de maneira alguma pode ser padronizado.
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