segunda-feira, 25 de outubro de 2010

COMENTANDO SOBRE A DESBRAILIFICAÇÃO

Luiz Carlos Nunes D'Angelo





(Para compreender melhor, leia-se a matéria da revista Isto É, abaixo)

Perdoem-me o jeitão!

A desbrailificação deve-se à estupidez e inépcia de professores de
classes comuns.

Eles estão despreparados e o aluno DV jogado em suas classes.

Mesmo que o livro convencional desapareça - e tenho certeza disto em
uns 25 anos - o não DV continuará a ver a letra na tela e a escrever à
mão, mesmo em porcos rabiscos.

O sistema braile, e isto já tenho dito, poderá restringir-se a fins
didáticos mas Terá de ser mantido seu aprendizado e uso: é o
substituto para o DV, através de seus dedos, da letra que continuará
na tela.

O sabichão que não lê nem escreve - na própria acepção destes verbos -
será inevitavelmente elemento passivo, imbecilizado, robótico.

Cuidemo-nos destes deslanches americanalhistas, empurrados guelas
abaixo por turbas meramente consumistas, resultantes do falso
progresso forjado por gananciosas economias.

Quem pode o mais, poderá também o menos; mas quem só pode o menos,
jamais poderá o mais.

Reajamos pois!

D'Angelo, Luiz Carlos Nunes

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CINCO COISAS IRRECUPERÁVEIS: KVIN A^JOJ NEREAKIREBLAJ:

- a palavra proferida - la vorto parolita

- a ocasião desperdiçada - la okazo neprofitita

- o tempo que passou - la tempo pasinta

- a pedra atirada - la ^stono ^jetita

- o voto dado a algum demagogo - la vo^co donita al iu ajn nefidindulo

D'Angelo, Luiz Carlos Nunes

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Isto é - 27-10 2010.

É o fim do braile? Tecnologias facilitam acesso dos cegos ao
conhecimento, mas os afastam da leitura pelo tato Rodrigo Cardoso
ATUAL - Giovany Oliveira: computador e braile

Até dezembro, todos os 4.300 alunos com cegueira total do ensino
fundamental e médio matriculados nas escolas públicas do País irão
receber um laptop com um sintetizador

de voz que lê para eles o texto da tela. Dois mil já foram
beneficiados e navegam nessa possibilidade, segundo o Ministério da
Educação (MEC). Em fevereiro, mais

tecnologia será despejada na carteira dos estudantes cegos que cursam
do 6º ao 9º anos: uma coleção de 380 obras didáticas no formato
digital Daisy. Abreviação para Sistema Digital de Acesso à Informação,
a solução tecnológica batizada aqui de Mecdaisy permite ao aluno
interagir com o livro digital, podendo pausar, pular ou

retornar às páginas e capítulos, anexar anotações aos arquivos da obra
e exportar o texto para impressão em braile, o sistema de códigos que
possibilitou aos deficientes

visuais o acesso à escrita e à leitura a partir do século XIX. Embora
o braile ainda seja defendido e aplicado pelas instituições de ensino
durante a alfabetização, já há correntes de educadores que temem um
afastamento dos

estudantes com cegueira da leitura feita com os dedos por conta desses
dispositivos tecnológicos (leia à pág. 78). 'Está ocorrendo uma
desbrailização', afirma o

professor de geografia e história Vítor Alberto Marques, do Instituto
Benjamin Constant, entidade pioneira para cegos no Brasil. 'A criança
acha chato ler em braile

e está migrando para outras tecnologias', diz ele. O problema foi
discutido na convenção anual que a Federação Nacional dos Cegos dos
Estados Unidos realizou no ano passado. No evento, painéis com o
slogan 'ouvir

não alfabetiza' foram espalhados para chamar a atenção para um dado
alarmante: 90% das crianças americanas com deficiência visual estão
crescendo sem aprender a

ler e a escrever, segundo o vice-presidente da organização, Fredric
Schroeder. Isso ocorre porque estão escravas de inovações como
serviços telefônicos que leem

jornal e leitura em voz alta de e-mails. 'Essas tecnologias promovem
um tipo passivo de leitura. Só por meio do braile o cérebro do
deficiente visual absorve letras,

pontuação e estrutura de textos', defende Schroeder. Mas o fato é que,
hoje, o braile não reina mais sozinho na sala de aula. No Instituto de
Cegos Padre Chico, em São Paulo, que possui 99 alunos carentes e segue
a cartilha da Secretaria de Educação do Estado, os estudantes encaram,
antes da alfabetização, exercícios que os preparam para o mundo
digital. 'Incentivamos a utilização

do braile por meio de concursos de redação e de leitura', diz a
professora de informática Cynthia Carvalho. 'Mas o contato com o
computador, entre outras coisas,

coloca a pessoa com cegueira em um patamar de igualdade.' Aluno do 5º
ano do ensino fundamental, Giovany Oliveira, 11 anos, mostra, com as
mãos no teclado, um pouco

da sua desenvoltura no computador. O garoto digita na tela que nasceu
sem visão e indica as teclas que o permitem ler, por meio de uma voz
que sai da caixa de som,

palavra por palavra ou a sentença toda. 'No computador eu leio
escutando. E o braile é legal porque aprendo como se escreve a
palavra', compara. O Mecdaisy fará parte do currículo escolar,
oficialmente, em 2011, para jovens matriculados a partir do 6º ano.
Esse software sonoro de livro digital, porém, só

será aplicado nas disciplinas de português, história, geografia,
ciências, e línguas estrangeiras. Matemática, física e química, por
conta dos símbolos gráficos,

seguem sendo ensinadas apenas em braile. Crianças matriculadas até o
4º ano receberão material didático só em braile. Para a deficiente
visual Martinha Clarete Dutra dos Santos, diretora de políticas de
educação especial do MEC, audiolivros, leitores de tela e livros
digitais são, no Brasil, ferramentas complementares no processo

de aprendizagem do deficiente visual. 'A tecnologia é um elemento de
inclusão social no País', diz. 'Mas é preciso cuidado para que não
haja uma desbrailização por conta dá má utilização dessas inovações',
pontua Moysés Bauer, presidente da Organização Nacional dos Cegos do
Brasil.

'A tecnologia é um elemento de inclusão social' - Martinha dos Santos,
diretora de políticas de educação especial do MEC

Na convenção da federação dos cegos americanos circularam histórias de
crianças que não sabiam o que era um parágrafo, que questionavam o
porquê das letras maiúsculas

ou o porquê de a expressão 'felizes para sempre' ser composta por
palavras separadas. Foram prejudicadas, segundo Schroeder, pelo vício
de somente ouvir o que um software reproduz. 'Essas tecnologias são
sinal de progresso?', indaga. O estudante Giovany, ao ser perguntado
se ainda gostava de ler em braile, confessou, sussurrando: 'Todo dia,
das 17h às 18h30, tenho de ler um livro em braile para minha mãe. A
psicóloga me pediu.' Após descobrir as maravilhas do computador, o
garoto não queria saber de outra coisa e dava escândalo se alguém o
contrariasse. Um trato, então, foi feito para colocá-lo na linha e
manter o gosto pelo braile. Giovany ganhou um computador e só pode
usá-lo se cumprir uma rotina de leitura pelo tato. É preciso cuidar
para que o desenvolvimento tecnológico não atrapalhe a alfabetização
da pessoa com deficiência visual.
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